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    Tudo sobre as pilhas

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    Marcelo
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    Mensagens: 20
    Data de inscrição: 24/11/2008

    Tudo sobre as pilhas

    Mensagem  Marcelo em Qua Nov 26, 2008 10:39 am

    As pilhas são objectos de grande unidade pois possuem aplicação em vários domínios. De um modo geral, as pilhas são classificadas da seguinte forma:

    Pilhas gerais: onde se incluem as de zinco-carvão, alcalinas e de níquel-cádmio, sendo habitualmente aplicadas em brinquedos, aparelhos de som, lanternas, ect.

    Pilhas especiais: subdivididas nas denominadas pilhas-botão (alcalinas, de óxido de prata, óxido de mercúrio, de zinco-ar e de lítio) e pilhas cilíndricas (óxido de prata, óxido de mercúrio e de lítio), habitualmente aplicadas em relógios, máquinas de calcular, máquinas fotográficas, aparelhos auditivos e instrumentos de precisão.

    As pilas gastas são poluentes uma vez que uma boa parte delas contém metais pesados como sejam cádmio, o chumbo, o lítio e sobretudo o mercúrio, que podem converter-se em perigoso poluentes tóxicos para a saúde humana e contaminantes do meio natural. Quando abandonadas na natureza ou nas lixeiras, a corrosão rompe os envólucros e derrama o seu conteúdo tóxico que é arrasto pelas chuvas para os rios, mares e para os lençóis de água subterrâneos que abastecem os poços e nascentes.

    No caso específico de libertação de mercúrio para o ambiente, este poderá vir a afectar o ser humano por via directa ou indirecta (uma vez que as plantas e os animais terrestres absorvem-no e concentram-no nos seus tecidos) com consequências graves. Por ser um metal pesado não é eliminado pelo nosso organismo, acumulando-se até originar uma dose que poderá colocar em perigo a saúde humana. Se as pilhas são queimadas, os seus fumos altamente tóxicos e os vapores de mercúrio precipitam-se com a chuva sobre os campos e culturas, contaminando, de igual forma, o meio ambiente e os alimentos.

    Devido ao seu teor em matérias perigosas, tornou-se necessários assegurar a gestão correcta dos resíduos de pilhas. Pretende-se deste modo evitar que as pilhas usadas sejam abandonadas indiscriminadamente ou conduzidas para lixeiras ou aterros juntamente com os restantes resíduos sólidos, provocando impactes negativos no ambiente, e a saúde pública.

    Neste âmbito, a união europeia publicou as Directivas 91/157, sobre o aproveitamento e eliminação controlada de pilhas e acumuladores contendo determinadas matérias perigosas, e a directiva 93/86, sobre símbolos indicativos de recolha separada e de teores de metais pesados nas pilhas (mercúrio, cádmio e chumbo). De acordo com esta regulamentação, a recolha e eliminação selectiva de pilhas restringe-se, nas pilhas gerais, às de níquel-cádmio e, nas pilhas especiais, às de óxido de mercúrio (devendo possuir os símbolos de recolha separada e reciclagem).

    As pilhas utilizadas em Portugal são na totalidade importadas. Em 1991, foram utilizados 77.5 milhões de pilhas, na esmagadora maioria pertencentes à categoria das “pilhas gerais”. As pilhas especiais representaram apenas cerca de 3.3% do mercado. Analisando a situação portuguesa em função das matérias contidas nas pilhas, verifica-se que as pilhas de níquel-cádmio (recarregáveis) representam 0.08% do consumo, o que equivale ao lançamento para o ambiente de 359 Kg de cádmio. Prevê-se, no entanto, a sua expansão no mercado, devido à implementação de tecnologias que permitem a sua recarga. As pilhas de óxido de mercúrio (botão) representaram 0.07% do mercado, o que corresponde ao lançamento de 119 Kg de mercúrio para o ambiente. Estas últimas estão a ser substituídas por pilhas de zinco-ar e de óxido de prata.





    Reduzir e reutilizar

    Presentemente, ainda não existem em Portugal as infra-estruturas necessárias para promover a nível nacional, a reciclagem de pilhas. Existem porém algumas pilhas ditas verdes ou ecológicas que contêm menos mercúrio. Mesmo assim, nenhuma pilha deve ser deitada no “lixo”.

    A este propósito, convém seguir algumas sugestões que poderão evitar riscos e minimizar os efeitos nocivos que s pilhas têm para o meio ambiente:

    - Não deitar pilha alguma no lixo, nem abandoná-la “por aí”;

    - Manter as pilhas fora do alcance de crianças;

    - Depositar as pilhas nos contentores próprios que algumas Câmaras possuem junto dos vidrões. No entanto, procurar saber qual o destino final que as pilhas têm;

    - Caso não haja contentores por perto, acondicionar as pilhas usadas em caixas de cartão com um saco de plástico no seu interior para evitar derrames, ou em garrafas de plástico. Embora em Portugal não exista um sistema eficaz de recolha de pilhas, é preferível saber que elas estão bem acondicionadas do que serem depositadas ou abandonadas sem qualquer precaução;

    - Sempre que possível, optar por pilhas recarregáveis. Embora inicialmente seja necessário fazer um investimento maior e apesar de as pilhas recarregáveis se descarregarem mais rapidamente que as alcalinas a maioria destas podem ser usadas centenas de vezes.





    Reciclar

    - Pensa-se que através da publicação, de legislação nacional regulamentadora desta temática, se lançarão as bases necessárias para um correcta gestão das pilhas.

    - A recolha selectiva das pilhas usada tem vindo a ser adoptada em vários países europeus. Segundo o Relatório “Europile” de Maio de 1992, há pelo menos seis países que procedem à recolha de todos os tipos de pilhas (Áustria, Suécia, Suíça, Dinamarca, Holanda e Itália). A Alemanha recolhe as pilhas especiais, as de óxido de mercúrio e as de níquel-cádmio. A Espanha e a Bélgica têm esquemas de recolha para as pilhas de óxido de mercúrio. A Noruega recolhe quer as de óxido de mercúrio, quer as de níquel-cádmio. Há todavia outros países não têm sistemas generalizados de recolha: Irlanda, Grécia, Luxemburgo, Inglaterra e... Portugal.

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